Economia de Água na Irrigação Agrícola

Campo Ecológico

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Irrigação localizada por gotejamento. Fonte: Conosul Brasil.
O uso da irrigação está presente desde os primeiros registros históricos da humanidade. Mas o problema crescente da escassez de água tem mostrado que é necessário economizar até mesmo quando o assunto é aumentar a produtividade na produção de alimentos.
 O objetivo da irrigação é suprir de água as plantas na quantidade necessária e no momento apropriado, para obter níveis adequados de produção e melhor qualidade do produto. Um adequado sistema de irrigação deverá ser capaz de propiciar ao produtor a possibilidade de fazer uso do recurso água com a máxima eficiência, aumentando a produtividade das culturas, reduzindo os custos de produção e, consequentemente, maximizando o retorno dos investimentos.
No Brasil, cerca de 72% de todo o consumo é realizado por sistemas de irrigação na agricultura, acima até da média global que é de 70%, mas muito abaixo da média dos países subdesenvolvidos (82%). Por isso, se adotadas medidas para a economia de água na irrigação, a preservação dos recursos hídricos poderá perpetuar-se com maior facilidade.
Antes de citarmos os sistemas de irrigação mais eficientes e econômicos o melhor é dar dicas ecológicas de como otimizar o uso do recurso d’água, um elemento para se analisar quando fala-se em uso de água na agricultura é a umidade, pois a umidade do solo manejada de forma otimizada pode assegurar uma melhoria no sistema solo, água é planta. Com isso o enfoque do manejo, quando levamos em conta a umidade é reduzir a evaporação e regular o fluxo da transpiração, então práticas que incentivam o movimento da água são importantes da sustentabilidade (GLIESSMAN, 2000).
Sendo a transpiração de uma planta um processo sobre o qual quase não se tem controle se ela estiver crescendo normalmente, é melhor tratar de reduzir a perda por evaporação manejando-se a forma como ela é cultivada. Portanto, a escolha das espécies e a época do cultivo podem influenciar tanto a eficiência da transpiração quanto a evapotranspiração. A escolha de uma cultura com menores necessidades de água, como o milho ou sorgo, em uma área com uma evapotranspiração muito alta e água limitante para irrigação, é uma boa estratégia para manejar a umidade do solo (GLIESSMAN, 2000).
O crescimento das plantas sofre como resultado da perda da umidade através da evaporação pela superfície. Qualquer prática que cubra o solo ajudará na redução das perdas por evaporação, como exemplo, as coberturas mortas como serragem, folhas, palhas, estercos e resíduos de culturas. As coberturas mortas proporcionam uma barreira muito efetiva contra a perda de umidade, e têm aplicação especial em sistemas de horticultura intensiva e pequena produção, suas vantagens são de proteção do solo contra erosão, favorecendo o retorno da matéria orgânica e nutriente para o solo, além de alterar a reflexividade da superfície, aumentar a camada limítrofe para difusão gasosa e encharca-se com a chuva que cai.
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Uso de cobertura morta mantém umidade no solo.
  Para o cultivo em grande escala ou quem precise usar sistemas de irrigação, o importante é antes obter informações precisas sobre o clima da região e dos solos, pois ajuda a escolher o melhor sistema de irrigação, além de estabelecer a quantidade e o momento certo de irrigar. Se não houver uma estação climática próxima, uma alternativa é a aquisição, por um grupo de irrigantes, de estação uma climática automatizada. Outro equipamento que pode ser útil é um sensor de solo que informa o teor de umidade retida pelo solo. Com isso, é possível reduzir em até 20% a quantidade de água utilizada na irrigação.
Depois disso, uma das formas de reduzir o gasto de água na agricultura é a adoção de métodos de irrigação voltados para isso, dos quais o mais conhecido é a irrigação por gotejamento. Trata-se de um tipo de irrigação em que a distribuição da água sobre a plantação é feita pelo derramamento de algumas gotas, que são suficientes para o atendimento das necessidades da plantação.
No sistema de gotejamento, a água corre por meio de tubos de polietileno sob pressão, de modo a se dirigir diretamente à raiz da planta, tendo um nível de aproveitamento de cerca de 95%. Com essa técnica, o desperdício de água em razão da evaporação ou pelo uso desmedido é praticamente nulo, o que ajuda a manter a produtividade das lavouras de maneira sustentável, ao menos sob o viés hídrico.
Ainda existem outros sistemas de irrigação localizada, realizados próximo ao solo, que também permitem a economia de água, embora não tanto quanto a técnica do gotejamento. Um deles é a microaspersão, em que pequenos microaspersores de água são posicionados para distribuir água por um espaço próximo.
(A) Irrigação por gotejamento e (B) irrigação por microaspersão.
A irrigação de gotejamento e microaspersão oferecem uma grande potencialidade de benefícios à planta, entretanto, por ser um método mais sofisticado de operação e manejo apresenta limitações operacionais e de manejo, que dependem de fatores técnicos, econômicos e agronômicos. 
 Principais vantagens desses sistemas de irrigação:
1) Economia e eficiência de aplicação de água;
2) Maior produção e melhor qualidade do produto;
3) Menor risco do efeito de sais para as plantas;
4) Facilidade e eficiência na aplicação de fertilizantes;
5) Reduzida mão-de-obra e baixo consumo de energia;
6) Adapta-se a diferentes tipos de solos e topografia.
 Referências:

GLIESSMAN, S.R.; Agroecologia: Processos Ecológicos em Agricultura Sustentável. 3 ed. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2005.
SILVA, Pedro V. et. al. Irrigação por aspersão e localizada. UNESP Ilha solteira. Disponível em: Acesso em 08 de fev. de 2015.
._______ Irrigação e economia de água. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/geografia/irrigacao-economia-agua.htm> Acesso em 10 de fev. de 2015.

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